15/09/2021 às 10h18min - Atualizada em 15/09/2021 às 10h18min

Setembro Amarelo: a importância de falar sobre prevenção de suicídio

A psicóloga, Emily Simoni, participou do programa A Voz de Cocal nesta quarta-feira (15) e apontou as mudanças de comportamento como um dos sinais mais evidentes de um suicida

Enio Biz
Rádio 87 News
Foto: Divulgação
O Setembro Amarelo é uma campanha criada com o intuito de informar as pessoas sobre o suicídio, uma prática normalmente motivada pela depressão. Mesmo com tantos casos notórios, crescentes a cada ano, ainda existe uma expressiva barreira para falar sobre o problema.

A psicóloga, Emily Simoni, participou do programa A Voz de Cocal desta quarta-feira (15), na Rádio 87 News. Confira abaixo, os principais pontos abordados:

Motivos

“De fato, existe sempre um problema. Seja um problema pessoa, sentimental ou um problemas com outras pessoas. Enfim, sempre existirá um problema. Aí essa pessoa não vai saber lhe dar com esse problema, ele vai aumentando, vai ocasionando um sofrimento muito maior e vai virando uma bola de neve. Então, chega ao ponto de que tirar a própria vida acaba se tornando apenas uma solução. Não existe um motivo específico, mas sempre há um problema em que a pessoa não consegue resolver sozinha, o problema vai aumentando e o suicídio vira uma solução para aquela pessoa”, explica Emily.
A psicóloga alerta que o suicídio atinge todas as classes sociais. “Esse pensamento pode afetar qualquer pessoa, sem exceção de idade ou classe social. Por isso sempre a importância do auto-conhecimento, de procurar resolver questões particulares do dia a dia com leveza, ter uma rotina saudável, encontrar momentos de alegria e descanso, estar com a família e amigos”, diz.

Como identificar alguém que precisa de ajuda e corre risco de suicídio?

Emily aponta a mudança de comportamento como uma das características de uma pessoa com pensamento suicida. “As mudanças de comportamento é um dos sinais mais aparentes. Alterações de humor, podendo ficar mais agressivos, com medo, isso varia de pessoa para pessoa. Essas pessoas tendem a se isolar mais ou se fechar mais, como por exemplo, ficar mais em casa, ou trancados no quarto, e não contar mais as coisas à alguém do que acontece no dia a dia. A alteração de humor não necessariamente a pessoa fica sempre triste. Muitas, em forma de alegria, podem esconder uma tristeza ou pensamento suicida. Ela é a pessoa mais divertida do grupo, por exemplo, mas por dentro ela não está bem. Nem sempre, as pessoas com pensamento de suicídio são tristes. Por isso tem que ficar prestando atenção em todas as mudanças repentinas de uma pessoa. Também existes aquelas famosas frases, “quero sumir”, “quero morrer”, “ninguém mais vai me ver”, em que nós temos que dar importância, mas muitos acham que é frescura”, alerta a profissional.

Como ajudar?

“É interessante conversar com a pessoa, escolher um momento legal pra abordá-la sobre o assunto, um lugar calmo, para ser direto e perguntar se está com pensamento de suicídio, se está tudo bem, o que está sentindo, ou seja, tenha uma conversa bem clara. A pessoa tem que saber que você está ali pra ouvi-la. E ouça a pessoa com a mente aberta e ofereça apoio. A melhor maneira é a conversa. Incentive a pessoa a procurar uma ajuda profissional e, se possível, acompanhe-a nas consultas. Mostre que você está disposto a ajudar de todas as formas. Se você perceber que há um perigo imediato da pessoa cometer suicídio, procure rapidamente um serviço de emergência, um profissional da saúde ou converse com algum familiar dessa pessoa. É muito importante, também, não deixar alguns objetos que facilitem a ação daquela pessoa de tirar a vida. Como por exemplo, venenos, armas de fogo e medicamentos”, pontua Emily Simoni.

O que não fazer

“Um dos maiores erros que acontecem é achar que está ajudando, mas na verdade não está. O que seria interessante não fazer? Não achar que a pessoa está querendo chamar atenção e fazer pouco caso. Mandar a pessoa fazer uma atividade física ou sair com amigos com a justificativa de que essas ações vão ajudar a melhorar o ânimo. Isso não é interessante porque você está invalidando o sentimento daquela pessoa. Outro erro é fazer comparações com seus próprios problemas, pois isso mostra para a pessoa que ela é mais fraca. Não faça comparações com o que aconteceu contigo e o que está acontecendo com a outra pessoa. Cada pessoa absorve os problemas de um jeito diferente”, finaliza. 

Segundo dados recolhidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos, sendo 75% destes indivíduos moradores de países de baixa e média renda. Estima-se que no mundo acontece um suicídio a cada 40 segundos.

Atualmente, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos. Todos os dias, pelo menos 32 brasileiros tiram suas próprias vidas.

Como o Setembro Amarelo começou?

A campanha teve início no Brasil, em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). As primeiras atividades realizadas pelo Setembro Amarelo aconteceram na capital do país, Brasília. Entretanto, já no ano seguinte várias regiões de todo o país aderiram ao movimento e também participaram.

A Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) estimula a divulgação da causa em todo o mundo no dia 10 de setembro, data na qual é comemorado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Esta data foi criada em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial de Saúde, com o objetivo de prevenir o ato de suicídio, por meio da adoção de estratégias pelos governos dos países. Neste dia, realizam-se cerca de 600 atividades em 70 países do mundo para salvar vidas.

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