01/07/2020 às 12h22min - Atualizada em 01/07/2020 às 12h22min

NOSTALGIA: Romântico ou brega, Nelson Ned deixou sua marca entre os grandes ídolos do país

Matilde Silveira - 87 News
O GLOBO
Divulgação

Intérprete de canções românticas e sucesso durante quatro décadas na América Latina e até nos Estados Unidos, Nelson Ned ganhou seu primeiro prêmio aos quatro anos, numa rádio de Ubá, em Minas Gerais, onde nasceu em 2 de março de 1947. Em 1950, a família se mudou para Belo Horizonte e, aos 12 anos, paralelamente ao sonho de ser cantor, começou a trabalhar na fábrica de chocolates Lacta. De uma família de seis irmãos, apenas Ned nasceu com displasia espondiloepifisária, doença congênita que afeta o crescimento, o que o levou a ficar com apenas 1,12m de altura.
 

O sucesso veio no início dos anos 60, com ''Eu sonhei que tu estavas tão linda'', de Lamartine Babo e Francisco Matoso, também gravada por Altemar Dutra. Seu grande hit, ''Tudo passará'', de 1969, rendeu 40 regravações, vendeu mais de 300 mil compactos e 170 mil LPs. Emplacou ainda sucessos como ''Tamanho não é documento'' (1969) e ''Não tenho culpa de ser triste'' (1973). Ned passou a maior parte dos anos 70 apresentando-se fora do país, voltando ao mercado nacional em 1982, com o LP ''Perdidamente apaixonado''.
 

Homem de raciocínio rápido e dado a tiradas de humor, Nelson Ned tornou-se um ídolo sem comparação, chegando a se apresentar coml Julio Iglesias e Tony Bennet, quando lotou por quatro vezes o Carnegie Hall e por duas vezes o Madison Square Garden, ambos em Nova York. Além de sucesso no México, Argentina, Colômbia e EUA, o artista se apresentou em alguns países na África. Ao todo, lançou 32 álbuns, alguns em espanhol. Também cantava em inglês, francês, italiano e latim.
 

Com cerca de 45 milhões de cópias de discos vendidos em todo o mundo ao longo de sua carreira, Nelson Ned foi o primeiro latino-americano a vender 1 milhão de discos no mercado dos Estados Unidos, quando a pirataria ainda não ameaçava a indústria fonográfica. Em 1986, rompeu a marca de 14 milhões de discos vendidos, principalmente junto ao público hispano-americano. Segundo a edição do GLOBO de 22 de agosto de 1986, apenas Roberto Carlos conseguiu alcançar esta marca entre os artistas brasileiros.
 

No Brasil, vendia muito menos, numa época em que os cantores românticos eram considerados bregas, como Aguinaldo Timóteo, Odair José e Moacir Franco. Mas os programas de Chacrinha, Raul Gil e Silvio Santos sempre abriram suas portas para o talento de Nelson Ned, que foi o primeiro artista a se transformar em tema do ''Globo Repórter''. Durante vários anos, Nelson gravou o especial de fim de ano de uma emissora americana; e seu contrato com a EMI era mundial. No entanto, as emissoras FM não aceitavam o seu trabalho, conforme O GLOBO publicou em 7 de julho de 1991, bem como as "elites". Ronaldo Bôscoli costumava chamar Nelson Ned de ''anãozinho ridículo'', o que o levou a compor ''Tamanho não é documento''.
 

Nos anos 90, Ned passou a cantar músicas religiosas em português e espanhol, conquistando um disco de ouro no primeiro lançamento gospel. Em 1993, quando a banda francesa Gipsy Kings esteve no Brasil, Nelson Ned reconheceu na música ''Amor d'un dia'' um plágio quase exato de ''Tudo passará''. Ele entrou na Justiça contra a banda e sua gravadora, a Sony Music do Brasil, e os réus foram condenados a pagar indenização por danos morais e patrimoniais. Três anos depois, lançou a biografia ''O pequeno gigante da canção'', como o ator Paulo Gracindo o chamava.
 

Nelson Ned não tinha vergonha de falar de sua doença, que também tornava sua saúde frágil, nem da depressão que enfrentou ao longo da vida. Teve problemas com drogas e bebidas, chegando a ingerir um litro de uísque por dia, como sua mulher, Maria Aparecida Rodrigues, declarou no programa ''A tarde é sua'', em 2012, pela Rede TV, no qual falou ainda que em 1988 o cantor disparara contra ela, acertando sua clavícula com um tiro. Com Maria Aparecida Ned teve três filhos, Verônica, Monalsa e Nelson, todos com o mesmo problema genético do pai.
 

Nos últimos anos de vida, o artista enfrentava problemas financeiros e de saúde. Em 2003, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e perdeu a visão de um olho. Ele também sofria de diabetes e hipertensão. A partir do dia 24 de dezembro de 2013, passou a viver numa clínica de repouso na Granja Viana, em Cotia, na Grande São Paulo. Pouco dias depois, ele deu entrada no Hospital Regional de Cotia, após complicações de um quadro de pneumonia, morrendo na manhã de 5 de janeiro de 2014, aos 66 anos.

 



 
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