24/09/2019 às 17h11min - Atualizada em 24/09/2019 às 17h11min

CASO BRENDA: “Minha filha confiou nele, entrou no carro dele e ele fez o que fez com ela”, lamenta a mãe

Entrevista concedida ao Jornal Correio do Sul

- 87 News
Jornal Correio do Sul
 
No final da tarde de sexta-feira, dia 13, por volta de 18 horas, Brenda Rocha Carvalho, de 14 anos, desapareceu enquanto retornava para casa, próximo ao ginásio de esportes do Município de Maracajá e na manhã de sábado, dia 14, familiares procuraram pela CPP (Central de Plantão Policial) de Araranguá, para registrar um Boletim de Ocorrência de desaparecimento.
Também na manhã de sábado, por volta das 8 horas, o corpo de uma jovem foi encontrado em uma plantação de eucaliptos, na comunidade de Furacão, interior de Passo de Torres, com vários ferimentos; muitos deles provocados por golpes de faca. Ainda no sábado, o corpo encontrado em Passo de Torres foi reconhecido como sendo o de Brenda.
A jovem foi enterrada, sob forte comoção, na manhã de domingo, dia 15 em Torres/RS. O assassino confesso de Brenda, Jeferson Quadros Peres, de 30 anos, participou do velório e enterro da menina e chegou a comprar alimentos para levar ao funeral.
Jeferson foi preso na terça-feira, dia 17, em um Posto de Saúde, localizado em Torres, no Rio Grande do Sul, por força de mandado de prisão temporária. Antes, os policiais estiveram na cidade de Três Cachoeiras, próxima ao município de Torres, local onde Jeferson morava, porém ele não foi encontrado naquele município.
O criminoso chegou na sede da CPP de Araranguá por volta das 22h30min, sob gritos de assassino, ditos pelo pai de criação da menina, que estava muito abalado. A mãe de Brenda, Cristiana da Rocha, de 33 anos, também esteve na CPP no momento da prisão de Jeferson e, apesar de um policial civil tentar contê-la, ela conseguiu entrar na delegacia.
Nesta segunda-feira, dia 23, a reportagem do Jornal Correio do Sul conversou com Cristiana, que falou, entre outros assuntos, sobre a falta que a filha faz, a relação que Brenda e a família tinha com o assassino, sobre a prisão de Jeferson, e os julgamento que Cristiana vem sofrendo por parte de algumas pessoas, nas redes sociais.
A mãe de Brenda concedeu a reportagem acompanhada do advogado Bruno Filipine Abrão, que a pediu, pois Cristiana, após a morte de Brenda, começou a receber ofensas e foi vítima de histórias inverídicas em redes sociais. “Ela quer tentar esclarecer as situações, para que estas ofensas não voltem a acontecer, para que ela não sofra mais danos de ordem emocional e psicológica, mais do que já está sofrendo, pela perda da filha”, disse o advogado.
 
Boletim de Ocorrência
 
Uma das perguntas que mais chegou até esta reportagem é porque a mãe registrou o Boletim de Ocorrência na noite de sexta-feira, quando Brenda desapareceu, mas somente no sábado de manhã. “O Boletim de Ocorrência foi registrado somente no sábado de manhã, porque na sexta à noite eu liguei para a polícia (190 da Polícia Militar) e eles disseram que eu só poderia registrar o Boletim de Desaparecimento após 24 horas”, contou Cristiana. A mãe e o pai do irmão de Brenda, um menino de 2 anos, procuraram pela adolescente durante a madrugada toda e no período da manhã foram até Araranguá registrar o BO.
 
Amigo da família
 
Jeferson era amigo da família por cerca de 12 anos e a mãe de Brenda acredita que a filha possa ter contado para ele que estava na manicure. Quando ele a encontrou e a adolescente embarcou no carro com seu assassino. “A Brenda tinha o Jeferson como amigo, acredito que ela possa ter falado para ele, de repente que ia fazer as unhas, mas também tenho relatos de pessoas que contam que ele estava a dias rondando ali (em Maracajá), porque eu reneguei ele”, falou a mãe. A mãe afirmou que a filha e o assassino não tinham nenhum outro tipo de relacionamento além do de amizade, que a menina ainda tinha por Jeferson um sentimento de filha para pai, que não tinha maturidade para relacionamento amoroso e que não ficava sozinha com Jeferson.
 
Aniversário do assassino
 
Na terça-feira, dia 17, de manhã, no dia em que foi preso, Jeferson publicou em uma de suas redes sociais vídeos com Brenda, comemorando o seu aniversário, Cristiana contou que a festa de aniversário para o assassino da filha, foi pedida pela própria Brenda. “No dia 4 de setembro era aniversário do Jeferson e a Brenda gostava muito dele e pediu para a gente fazer uma festa surpresa para ele. Eu disse que não tinha dinheiro, então compramos um kit de festa, só para não passar em branco, fizemos a festa na minha casa, ela tinha ele como um pai e um amigo”, revelou Cristiana.
 
Cara a cara com o assassino
 
Na noite do dia 17, quando Jeferson foi preso, Cristiana esteve na delegacia e, apesar de um policial civil tentar contê-la, para que ela não entrasse no prédio, onde o assassino da filha estava preso, Cristiana entrou, ninguém conseguiu segurá-la. “Eu fiquei na delegacia até às 3 horas da manhã, eu não saí daquela delegacia enquanto não olhei para a cara dele e perguntei porquê?”, contou a mãe. Jeferson disse para Cristiana que não sabia porque cometeu o crime e ainda tentou abraça-la, momento em que foi impedido por policiais e retirado da sala em que a mãe de Brenda estava.
 
Pedido de casamento
 
A mãe de Brenda contou que namorou com Jeferson há cerca de dez anos e em novembro do ano passado retornaram o namoro. “Ele fez uma cirurgia em fevereiro (deste ano) eu cuidei dele e depois eu sofri um atentado e vim embora para Maracajá e ele me perseguia, chegou a comprar aliança e me pediu em casamento, mas eu neguei. Na cabeça dele nós íamos casar, mas eu não tinha nenhuma intenção de casar e no dia 4 de setembro rejeitei o pedido. Eu não tinha mais nenhuma relação com ele e ele sabia disto, sabia que o meu amor por ele era de amizade e respeito”, salientou Cristiana.
Além da Brenda, Cristiana tem um filho de 2 anos e outro de 18.
A vida sem a filha
“Não caiu a ficha ainda, ainda espero ela entrar e me chamar de coroa, até saí da casa que eu morava, doei meus móveis. Brenda era muito vaidosa, tanto que ela foi enterrada com o vestido da festa de 15 anos”, disse a mãe da vítima. A festa de 15 anos da adolescente já estava sendo preparada com carinho pela mãe e aconteceria em fevereiro. Brenda nasceu no dia 17 e a festa seria no dia 22. “Já tínhamos muita coisa comprada, a gente não tinha condições, mas eu queria dar, pelo menos, uma festinha para ela”, lamentou Cristiana.
Cristiana morava sozinha com a filha em Maracajá e o filho mais novo morava com a avó paterna em Arroio do Silva, agora Cristiana mora também com o filho de dois anos e a ex-sogra. A mãe de Cristiana mora no exterior. “Brenda era minha companheira de todos os dias, por todos os anos, eu chegava em casa, ela já estava com a comida preparada. Brenda era feliz o tempo todo, era muito moleca”, lembrou a mãe.
 
Sentimento de injustiça
 
“Eu sei que a justiça ali na polícia foi feita, ele foi preso, não sei o que vai acontecer com ele lá dentro, mas ele não sofreu o que minha filha sofreu. Minha filha confiou nele, entrou no carro dele e ele fez o que fez com ela. As pessoas me julgam, porque eu publiquei no domingo de manhã sobre o desaparecimento de Jeferson e depois publiquei que, graças a Deus ele foi encontrado, a polícia foi muito rápida e conseguiu prender ele, acho que desde o começo sabia que era ele. No velório da minha filha tinha uns oito investigadores, mas eu, em nenhum momento desconfiei que foi ele”, asseverou Cristiana.
Cristiana disse que quer ficar com as lembranças boas da filha, da menina moleca, brincando com as amigas.

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