04/08/2020 às 12h46min - Atualizada em 04/08/2020 às 12h46min

Prefeito de Itajaí sugere aplicar ozônio por via retal para tratar coronavírus; infectologista de Porto Alegre diz que desconhece método

Volnei Morastoni afirmou, durante live, que inscreveu o município em comissão para integrar um protocolo de pesquisa sobre a ozonioterapia

- 87 News
GAUCHAZH

Durante transmissão de live no Facebook na noite de segunda-feira (3), o prefeito de Itajaí, em Santa Catarina,  Volnei Morastoni, sugeriu um método inusitado para o tratamento do coronavírus: aplicação de ozônio por meio do ânus. De acordo com ele, o município foi inscrito na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), vinculada ao Ministério da Saúde, para integrar um protocolo de pesquisa sobre a ozonioterapia.

— Serão apenas os casos positivos. Além da ivermectina, da azitromicina, da cânfora, nós também vamos oferecer o ozônio. É uma aplicação simples e rápida, de aplicação de três minutos, provavelmente por meio do reto. O cateter será fininho e terá resultado excelente. (...) Com isso, nós vamos ser autorizados a ter um laboratório de ozônio. Já estamos definindo o local e providenciando os aparelhos — disse Morastoni.

No tratamento, o paciente deveria realizar cerca de 10 sessões.

Em entrevista ao Timeline desta terça (4), a repórter Patrícia Silveira, da NSC TV, que cobre a região de Santa Catarina, afirmou que ainda não há maiores explicações por parte da prefeitura, nem datas para o possível início do tratamento. Ela também disse que os tratamentos não têm efeitos imediatos e que seria difícil, em caso de realização do método, concluir que uma possível cura ou melhora estaria relacionada à ozonioterapia.

A declaração bastou para viralizar nas redes sociais. Grande parte dos usuários acabou entendendo a notícia como falsa, em razão do caráter inusitado.

Além de prefeito, Volnei Morastoni também é médico, com pós-graduação em Pediatria e em Saúde Pública. 

O programa Timeline ouviu também o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz. O especialista se declarou estupefato com a divulgação do prefeito:

— É uma coisa inacreditável. Prefiro muito mais usar a máscara e outros mandamentos para evitar a contaminação. Em termos de seriedade, existe uma ideia de que o ozônio possa ter capacidade parecida com a do álcool gel. Agora, usar em pessoas como tratamento, é certamente uma inovação, via retal ainda. Eu desconheço qualquer coisa assim. Estou estupefato, surpreso com tudo isso.


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