14/07/2020 às 09h17min - Atualizada em 14/07/2020 às 09h17min

Sul do Estado atinge 100% de ocupação dos leitos de SUS para Covid-19

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A ocupação de leitos de UTI pelo Sistema Único de Saúde vem em constante evolução em Criciúma. No último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Criciúma, no domingo, dia 12, havia 29 pacientes em UTI e 69 em clínica no município. O total de internações bateu o recorde municipal, 98 no total, incluindo rede pública e privada.

No SUS, não há mais vagas em leitos de UTI. Dos 28 disponibilizados à Covid-19 do Hospital São José, todos estão ocupados, com a chegada de pacientes de todo o Sul do Estado. No sábado, de acordo com o Hospital Regional de Araranguá, dois pacientes da Amesc foram encaminhados a Criciúma para internação em UTI. Situação que é definida pelo centro de controle de leitos vinculado ao Governo do Estado e foge da alçada dos municípios.

No Hospital São José, novos 10 leitos de UTI podem ser abertos nos próximos dias. No fim do mês passado, 10 respiradores mecânicos chegaram à unidade de saúde, mas devido à falta de outros equipamentos (como monitores) e de pessoal, ainda não foram instalados.

O hospital confirmou que novos 10 monitores foram adquiridos e a administração aguarda a habilitação da regional de Saúde estadual para a abertura dos novos leitos. O São José também trabalha na contratação de profissionais para o uso dos equipamentos. O hospital projeta a chegada de novos 35 técnicos em enfermagem.

De acordo com a assessoria de imprensa do São José, a abertura dos novos leitos depende não apenas da liberação do estado, mas também da chegada dos monitores cardíacos adquiridos. A reportagem tentou contato com o Governo do Estado para saber se há prazo para a liberação dos novos leitos, mas não obteve resposta.


Falta de leitos no Sul


Na Amurel e na Amesc a falta de leitos também é realidade. O Hospital Regional de Araranguá, cujo atendimento é 100% pelo SUS, tem todas as vagas de UTI destinadas à Covid-19 preenchidas: 10 no total. Os outros 10 leitos do hospital são destinados a outras comorbidades e estão com ocupação de 70%.

O diretor técnico do Hospital, Eduardo Ali Dominguez, afirmou que até o momento a unidade não teve problemas para remanejar os novos internados a outras unidades de saúde. “Dois de sábado foram para Criciúma”, apontou. O setor de UTI para Covid-19 está com ocupação de 90% a 100% há cerca de duas semanas, de acordo com Ali. O diretor respondeu que o hospital opera no limite, tornado pouco provável a abertura de novos leitos.

“Fica difícil (abrir novos leitos) devido à necessidade de estrutura. Nós estamos com duas UTIs funcionando e temos uma parte clínica médica com 20 leitos, que vem se mantendo com sete a oito pacientes para Covid-19”, disse Ali. O médico lembrou que o Estado se compromete apenas a disponibilizar os respiradores mecânicos e ficaria a cargo do hospital os demais equipamentos e pessoal.

Hospital Regional de Araranguá (Foto: Lucas Colombo / TN)

Na Amurel, os 12 leitos de UTI disponibilizados à Covid-19 do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, estão ocupados, conforme informações da assessoria de imprensa do hospital. Outros três pacientes internados na clínica aguardam a liberação de vagas para entrar na UTI.

Novos leitos

A macrorregião de Criciúma, que atende Amurel, Amesc e Amrec, pode ganhar novos 15 leitos de UTI. Além dos 10 que o São José pretende abrir nos próximos dias, o Hospital Nossa Senhora da Conceição espera a liberação do Estado para a habilitação de cinco leitos pelo Sus. São leitos que já estão prontos e atendem a rede privada de saúde. Outros cinco leitos pediátricos de UTI foram abertos pelo Sus no hospital e apenas um está ocupado neste momento.

Em Içara, o Hospital São Donato conta com um leito de UTI direcionado à Covid-19, que está desocupado. O hospital tem a possibilidade de isolamento de mais um dos outros nove já instalados. “Temos também a capacidade para abertura de novos leitos, colocamos à disposição do Estado, mas não adianta receber respiradores e não ter monitores. Não temos verba para investir. O Estado quer dar o respirador e o resto o hospital se vira”, queixa-se de Luca.


Hospital do Rio Maina


A Prefeitura de Criciúma disponibilizou ao Estado, ainda, o Hospital de Rio Maina como retaguarda no combate à Covid-19. De acordo com o secretário de Saúde do município, Acélio Casagrande, o hospital será imediatamente utilizado para o isolamento de idosos portadores do vírus. “Vamos iniciá-lo isolando pessoas, principalmente idosos que estão em casas de repouso e precisam ser isolados, porque se não vai acontecer uma catástrofe”, disse por meio da assessoria de imprensa da prefeitura.

Na mesma entrevista, Acélio destacou que 15 internações em UTI na cidade são da Amurel e as outras 13 são de outras regiões, incluindo Balneário Camboriú. Em Criciúma é constante o aumento de pacientes internados. No dia 1º de julho eram 58 pessoas nos hospitais da cidade, incluindo rede pública e privada (18 em UTI e 40 em clínicas, entre confirmados e suspeitos de coronavírus). Saltou para 77 no dia 5 (26 em UTI e 51 em clínica) e para 98 no último domingo (29 em UTI e 69 em clínica).

Antigo Hospital do Rio Maina (Foto: Lucas Colombo / TN)


Aumento de mais de 40% em uma semana

O número crescente de internações é acompanhado pelo aumento significativo de casos de coronavírus na região e no Estado. Em Criciúma, houve um salto de 41,2% de casos confirmados em apenas uma semana: eram 873 no dia 5 e foi para 1.233 no último domingo (12). O número de casos ativos – ou seja, pessoas que ainda portam o vírus – também teve crescimento acentuado: de 300 no dia 5 para 499 no domingo, aumento de 66%.

O instituto Inloco de tecnologia criou o índice de isolamento social para auxiliar nas ações de combate à Covid-19. Nele é calculado o percentual de adesão da população ao isolamento. De acordo com o índice, Santa Catarina é o quinto estado brasileiro com maior isolamento social, de 51,4% no último domingo.

Porém, o índice cai consideravelmente nos dias de semana, em movimento cíclico: na última quinta-feira, a adesão ao isolamento foi de 36,5%. No começo da pandemia, no dia 25 de março (uma quarta-feira) o isolamento foi de 60,3%.

Com a decisão por restrições e permissões regionalizadas, o secretário de Saúde de Criciúma, Acélio Casagrande, cobra mais fiscalização das medidas atuais e não descarta que novas possam ser tomadas, mas alerta: devem partir das macrorregiões.

“A restrição que fizemos há 20 dias, com relação a horários de bares, restaurantes e uma série de medidas, quem sabe a gente começa a apertar mais pelo cumprimento, ser mais rigoroso? Medidas que reduzam o fluxo de pessoas têm que ser e podem ser feitas”, pondera. “A decisão deve ser macrorregional, acho que não pode ser nada isolado. Não adianta eu fechar aqui se as outras regiões também não fizerem”, conclui.

Deputados pedem mais leitos

Os deputados estaduais do Sul catarinense, após reunião com os prefeitos da Amurel, solicitaram reunião com o secretário da Saúde do Estado, André Motta Ribeiro. Eles pretendem cobrar a abertura dos novos leitos de UTI na região. O encontro remoto deve ser marcado pelo presidente da Alesc, o deputado Júlio Garcia.

Nesta segunda-feira (13), o governo do Estado publicou novo decreto com medidas de isolamento: estão proibidas pelos próximos 14 dias a realização de shows, eventos esportivos, atividade de cinemas, teatros, casas noturnas e museus.


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