05/12/2019 às 09h00min - Atualizada em 05/12/2019 às 09h00min

Obras de Misericórdia: Entenda as pinturas no Santuário SCMJ

Thais Pacheco - 87 News
Comunicação Santuário SCMJ
 

As paredes brancas do Santuário Sagrado Coração Misericordioso de Jesus (SSCMJ), em Içara, ganharam cores e sentido novo. Nelas, agora, povoam 12 obras carregadas de fundamentação iconográfica e teológica. Cores e traços deram vida às obras de misericórdia retratadas pelas mãos de Lúcio Américo de Oliveira, artista plástico especializado em arquitetura e artes sacras. Lúcio veio de Jundiaí, São Paulo, especialmente para realizar o trabalho.

A ideia de ter obras sacras estampadas nas paredes do Santuário partiu do reitor pe. Antônio Vander em conjunto com o Bispo, Dom Inácio Flach. O briefing fora encaminhado ao artista plástico para que ele pudesse projetar algo que tivesse a identidade do Santuário. Lúcio conta que foram três meses de estudos e pesquisas, e esta é a parte mais demorada de projetos como esse. “É preciso rezar, ler, procurar referências. É muita responsabilidade envolvida nesse processo. Cada igreja é única. Cada projeto é único. As pinturas são simples, mas o estudo precisa ser intenso”, explica o artista.

Todas as imagens são referências bíblicas de pessoas sendo ajudadas, de alguma forma. O que já se vê são pessoas confusas quanto a forma como obras são denominadas: obras corporais e obra espirituais. As ditas obras corporais se traduzem em aspectos físicos: alguém com necessidade física (sono e precisa descansar. Fome e precisa se alimentar, por exemplo). As obras são interligadas. Elas influem no aspecto humano integralmente. Mas, as corporais aparecem nas leituras da igreja como uma ação concreta. E as de misericórdia (espirituais) nos lembram o que essas ações concretas geram dentro da gente. “Essas pinturas são de eventos provocativos e permeadas pela mesma linha: Em uma delas estão todas. O que a igreja faz é desmembrar isso de forma que fique mais pedagógica e de fácil compreensão”, pontua Lúcio.

Em todas as obras de Misericórdia, Jesus aparece como o centro, com seu coração aparente, fazendo se lembrar do seu Sagrado Coração Misericordioso. Os rostos têm questões teológicas. Os olhos são maiores porque observam mais do que falam. As formas se aproximam com as pessoas mais inocentes, e embora simples são figuras carregadas de identidade teológica. Na pintura sacra, a cor dourada significa a presença de Deus. Nas paredes do Santuário, o dourado foi substituído por um amarelo mais forte, para não ferir a identidade visual do ambiente, que é mais limpa. A partir do dourado – presença de Deus -, as outras cores aparecem como as criações de Deus. O branco simboliza a luz. O azul, como a separação das águas superiores (presente nos vitrais do templo) e as águas inferiores da criação divina. O pecado é simbolizado, então, pelas linhas mais escuras que contrastam nas imagens. 

Ao fundo de todas as pinturas há uma silhueta de uma cidade. Essa cidade é Jerusalém. O artista explica que se trata de uma Jerusalém celeste. “Isso significa que as atitudes de um cidadão dessa Jerusalém celeste devem ser atitudes de misericórdia. Só ingressaremos em uma Jerusalém celeste se estivermos prontos e aquecidos dentro dessas obras. É por essas obras (reais) que passaremos por um julgamento”, ensina Lúcio.

Na nave do Santuário, à direita está retratada a imagem de Santa Catarina, uma figura mais próxima dentro do nosso aspecto histórico. A padroeira do nosso Estado é a primeira das obras corporais por se tratar de um exemplo de atitude e fé. São José, do lado esquerdo, traz a figura do padroeiro Diocesano, e mais que isso, abre as obras espirituais, já que ele tinha contato com o Divino por meio de sonhos. Se não houver nenhuma variação do suporte da pintura, uma primeira restauração só será necessária após 50 ou 60 anos. Indagado por qual motivo o artista não assina as suas obras ele afirma que não é o autor delas. “ Eu sou agraciado por ser o primeiro a ver quando elas saem das mãos. Eu não posso falar que eu sou o autor. Eu sou o pincel. O que eu preciso fazer é me esvaziar o máximo possível para eu não atrapalhar o projeto de Deus”.

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