20/06/2020 às 16h01min - Atualizada em 20/06/2020 às 16h01min

Pandemia atinge com mais força trabalhadores de SC com menor grau de instrução

- 87 News
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A extinção de vagas de trabalho provocada pela pandemia em Santa Catarina atingiu com mais força profissionais com menor grau de instrução. Dados do Ministério da Economia mostram que das 56.202 requisições de seguro-desemprego feitas no Estado em maio, 87,6% (49.269) partiram de pessoas que têm só até o ensino médio completo – praticamente nove em cada dez trabalhadores. O percentual é bem menor entre aqueles que têm ensino superior incompleto (4,9%) e completo (7,5%).

As estatísticas, além de reforçarem a importância do auxílio emergencial, evidenciam a velha máxima – embora isso já não seja mais sinônimo de garantias – de que os mais bem capacitados têm mais chances de se segurar no emprego em tempos de crise. Orientador de carreira e diretor de Projeto Integrador da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Paulo Sérgio de Souza Correa avalia que encontrar, contratar e treinar profissionais qualificados demanda tempo e dinheiro, e abrir mão de pessoas com esse perfil poderia comprometer o desempenho das empresas na retomada.

— Além disto, profissionais qualificados têm acesso e conhecimento tecnológicos, viabilizando o tele-trabalho, uma prática que veio para ficar mesmo após a pandemia — analisa.

Correa, no entanto, faz uma ponderação. Lembra que uma questão importante é quanto tempo as empresas resistirão até a retomada efetiva da economia, já que profissionais mais bem capacitados também têm custos salariais mais expressivos. Eles, no entanto, devem ter papel decisivo quando a pandemia passar.

— Quando analisamos os salários acima de R$ 10 mil, este número (de demissões) decresce mais ainda, pois nesta faixa estão os gestores, líderes essenciais para gerenciar este período de contingências, planejar e efetivar as ações que ajudem a manter as empresas vivas — considera Correa.

Seguro-desemprego

Seguro-desemprego

(Foto: )

Faixa salarial

Os dados do Ministério da Economia também revelam que o desemprego foi maior entre os catarinenses que recebem entre dois e três salários mínimos. Esta faixa representou 40,6% das requisições de seguro-desemprego feitas em maio.


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