11/05/2020 às 13h33min - Atualizada em 11/05/2020 às 13h33min

Aumento de casos na Alemanha e Coreia do Sul põe em dúvida volta à normalidade pós-isolamento

- 87 News
BBC NEWS

Novos casos de coronavírus começam a pôr em dúvida o retorno à normalidade em países que recentemente flexibilizaram as medidas de isolamento social, como Alemanha e Coreia do Sul, levantando temores sobre uma segunda onda de infecções.

Já Wuhan, cidade chinesa onde o vírus foi detectado pela primeira vez, informou que registrou o primeiro caso em semanas.

Na França, onde o confinamento começaria a ser flexibilizado a partir desta segunda-feira (11/05), as autoridades anunciaram a descoberta de pelo menos nove casos relacionados a um funeral em Dordogne, no sudoeste do país.

E no Irã, uma Província voltou a decretar o confinamento de sua população após registrar um aumento acentuado no número de pacientes com o vírus.

Os novos casos ilustram as dificuldades que governos de todo o mundo devem enfrentar nos próximos meses.

'Infecções em alta'

Na Alemanha, segundo o Instituto Robert Koch (RKI), a taxa de reprodução — o número estimado de pessoas que um portador de coronavírus pode infectar — voltou a superar 1.

Isso significa que o número de infecções está aumentando no país.

O relatório foi divulgado quando milhares de alemães protestavam, no último sábado, pedindo o fim das duras medidas de isolamento social.

Poucos dias antes, na quarta-feira, a chanceler Angela Merkel anunciou uma ampla flexibilização das restrições nacionais, após conversas com os líderes dos 16 Estados da Alemanha.

Lojas vão poder reabrir, alunos voltarão gradualmente às aulas e a Bundesliga — a principal liga de futebol da Alemanha — será reiniciada neste próximo fim de semana.

Mas houve protestos em todo o país, com muitos manifestantes pedindo mais velocidade na flexibilização.

A Alemanha tem o sétimo maior número de casos confirmados no mundo. São 169.218 casos confirmados e um número de mortes superior a 7 mil.

Contágio em casas noturnas

Na Coreia do Sul, 34 novos casos de coronavírus foram confirmados, o maior número diário em um mês.

Desses novos casos, anunciados no domingo, 26 foram infecções transmitidas internamente e oito foram importados, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC).

Foi o número mais alto registrado em um só dia desde 9 de abril. Depois de ter sido o primeiro país a combater a pandemia fora da China, a Coreia do Sul registrou zero ou muito poucos casos domésticos nos últimos 10 dias, com a contagem diária pairando em torno de 10 ou menos nas últimas semanas.

O ressurgimento ocorreu após um homem em torno de 20 anos ter visitado várias casas noturnas em uma mesma noite antes de ser diagnosticado com o coronavírus.

O surto levou a cidade de Seul a impor uma paralisação temporária imediata de todas as atividades de entretenimento noturno no sábado.

As autoridades disseram que estão buscando localizar 1,5 mil pessoas que foram às boates. Pediram também que qualquer que tenha ido a esses locais se isole por 14 dias e realize um teste para confirmar seu diagnóstico.

Os novos casos ocorrem em um momento em que a Coreia do Sul começava a flexibilizar algumas restrições de isolamento social, buscando reabrir totalmente escolas e empresas.

O presidente Moon Jae-in alertou para uma segunda onda da epidemia no final deste ano, dizendo que o novo surto evidencia os riscos de que o vírus possa se espalhar amplamente a qualquer momento.

"Não acabou até acabar. Nunca devemos baixar nossa guarda em relação à prevenção de epidemias ", disse ele em um pronunciamento na TV marcando o terceiro aniversário de sua posse.

"Estamos em uma guerra prolongada. Peço a todos que cumpram as precauções e regras de segurança até que a situação termine, mesmo depois de retomar a vida cotidiana."

Testes em massa e rastreamento de contatos de pacientes infectados ajudaram a quarta maior economia da Ásia a conter a epidemia em grande parte sem recorrer ao confinamento generalizado de sua população.


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